segunda-feira, 27 de agosto de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
SUBLIMAÇÃO
Estou
numa luta para não escrever uma palavra “feia”… porque quero, mas sinto nas
minhas entranhas que esta palavra não preenche os cânones de um enquadramento
convencional na transmissão de boas ideias. Nem sempre estamos baseados em
algo explicado á luz da boa convivência social e mesmo…
Lutamos
por sermos… sermos simplesmente sem subterfúgios, sem imaculadas presenças na
vida de outros porque não existimos para sermos outros, não existimos para que
nos façam imagens plasticinadas de cores amareladas pelo tempo, que rodopiaram
pelo pensamento de um qualquer que pretenda um dom de midas e tocar a magnitude
da vida alheia… alheia às pertenções individuais.
Pelas
minhas extremidades soltam-se repulsas evaporadas, que exprimidas nada valem,
no entanto proferidas por alguém que consideramos ter uma genética quase igual
fazem doer. Não uma dor simples e natural, antes aquela que provoca um
esfreganço momentâneo… mas que irá perdurar muito mais do que a memória poderá
comportar. Será algo, que mastigado não manifestará algum sabor, pois a
importância será relativa e nada construtiva.
Tivesse
a magnitude capaz de me iluminar simplesmente com um indicador… teria de certo
várias cores da imagem que me mostram a negro. Já não me lembro da palavra que
serviu de mote para esta dicotomia. Se não há recordação será porque tem um
ínfimo valor patrimonial, não confundamos a matéria com outra valia mais
profunda!
Tivesse
eu a capacidade volátil… alcançasse asas reais, mesmo fustigadas por nuances do
enraizado complexo de Édipo e sombreadas pelo ímpeto de Nero, não queimaria nem
Roma nem Pavia, não me substituiria por um qualquer pai, reuniria reflexos em
retrocesso dos passos calados e quietos de quem premeia a virtude acessível,
pouco transpirada, e iria colocá-los às portas de elfos.
Gostaria
que a beleza se transformasse numa sensível fertilidade… de exemplos capazes de
se envolverem pelos espaços naturais resplandecendo o belo sob a terra, sobre
as florestas e que os arqueiros se transformassem nos guias transversais das
pegadas que ainda teremos de cravar no solo barrento deste nosso planalto.
Tivesse
eu ainda alma neste momento… gritaria alto um murmúrio abafado que escorre
pelas artérias, que me faz esmorecer o Cérebro e embeber de compaixão, quando
não tenho apetência esclarecida sobre a validade… quem percorre as vãs
carreiras hexagonais de um favo de colmeia abandonado nada mais encontra que
algo semelhante ao labirinto de Creta.
Encontrei
no meu bolso o fio esticado que irá derrotar Dédalo e escapar ao Minotauro… só
me resta saber se me está reservado o desempenho de Teseu… e para assim ser
capaz de iniciar a fuga às trevas, reencontrar e vislumbrar o renascimento
pessoal.
Também
neste contexto… eu quero a minha superação, o encontro da verdade e de um opus sublime!
terça-feira, 7 de agosto de 2012
UMA VIDA
Uma vida!
Uma vontade!
Uma força revelada num olhar vago de quem procura um sentido
onde não é possível encontrá-lo. A esperança não tem aqui lugar.
Não consigo. Não tenho a chave das amarras.
Não posso!
Não quero acreditar numa medida igual. A oportunidade de
viver é diferente. Na existência alheia a todas as engrenagens da vida
leiloamos os nossos dias numa roleta de pouca sorte. Os ditames traçados vão
mais longe do que o entendimento pode alcançar.
O conforto já não é procurado no divino. Porque se existe é
cruel. É cruel por fazer sofrer um ser mais do que a sua capacidade aguenta. A
conciliação e a pacificação são difíceis. A revolta impotente cresce no olhar.
Paira no ar um encerramento de muitos capítulos. Alguns recordados com prazer
carregam a saudade e o vazio futuro. As memórias perpetuam antes do tempo em
que seriam autorizadas a manifestarem-se.
Temos vida, temos xisto negro, angústia e a areia escorrega
para o outro lado da ampulheta. Tivesse eu força e poder para a virar antes do
último grão. Conseguisse a metamorfose de mariposa daria a tantos outros a
felicidade impossível de ver neste olhar.
Resta… resta muito pouco. Nem a resignação tem lugar aqui.
Não consigo.
Sou impotente perante ela… a última batalha continua a ser
dela.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Contorno Perpetuo
Caminho na
retaguarda do tempo. Conto as pedras soltas da praia exposta ao mar do norte na
tentativa de encontrar o número par, que justifique a minha existência.
Ambiciono fugir da tua loucura diária… de colocares tudo nos mesmos lugares de
sempre, alinhado por épocas e momentos do menos para o mais importante, como se
tudo fosse interligado pela medida ordenada.
Nada pode ficar
fora do contorno estabelecido. Nada é uma parte de um todo e nem o teu todo é a
súmula das nossas partes.
Mostro na palma
da mão uma perspectiva possível do objecto que nos pode unir. É um laço que perpétua
a relação e a mantém viva. Pouco vale… há engrenagens. Se virar a mão para te
mostrar tudo isso irás ver que virada ao contrário simboliza aquilo que não
procuras… pode transformar-se num desalento!
Alimento as
energias com a vontade de ir mais além, numa tentativa…, quase frustrada, de
saltar a margem e me tornar um persistente nesta sociedade com laivos de
perdição individual.
Estes dedos que
trauteiam a música que ouvimos juntos querem agarrar algo sólido, que seja possível
transformar no futuro sobre a cristalização do passado. Que seja possível representar
a fuga evolutiva de tudo o que somos e dos caminhos que tivemos de construir
para aqui chegarmos. E olhamos o céu com intenção de lá encontrarmos o guia, de
lá vermos o conforto dos exemplos já experimentados.
Sabemos as
semelhanças que existem. Sabemos as possibilidades de marcar o presente com os
pilares do futuro, no entanto olhamos o céu na esperança de lá vir a sair o
escrutínio ideal capaz de nos substituir na reconstrução do futuro, que nossos
pés irão pisar.
Fecho o punho.
Escondo uma imagem que não conheço. Vasculho as memórias. Transporto-me
psicoticamente neste vaivém de tentativas. Nada me é familiar. Nada me surge
ordenado e tudo se atira a mim como inimigo do conforto das representações do
quotidiano. Desmanchou-se o exército de terracota. Alguns pedaços de barro têm
as arestas cortantes. Parece defenderem-se da mão grande sobranceira. Olho dentro
deste cenário como um estranho que tropeçou nele e por nada se compromete com a
reconstrução do trilho.
A linha
longínqua que imagino ver no horizonte (de olhos fechados nada vejo e tudo
posso criar) torna-se rapidamente na âncora do desejo frenético de sair a
galope e sorrir.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Publicada no Jornal Nova Esperança - 15
TELEVISÃO
As manifestações de curiosidade mostram-se de variadíssimos modos. Desde o inicio da humanidade que o homem tem procurado satisfazer as suas necessidades através dos recursos existentes. Quando são insuficientes ou mesmo incapazes de proporcionar-lhe o alcance desejado, recorre à sua criatividade e reinventa os utensílios e equipamentos as vezes necessárias até conseguir atingir a sua meta.
A imagem, rápido se tornou o ícone que melhor favorece o registo da pegada humana sobre o planeta. As pinturas rupestres são importantes para a interpretação e compreensão do que moveu o homem a fazer representações de grandes animais, da caça e de rituais de dança. Permite-nos a aproximação a estas sociedades primitivas que tinham um modo de vida muito diferente da atualidade. Hoje é-nos difícil viver sem um conjunto de equipamentos a que nos habituámos e que fazem parte do quotidiano. Falo de entre outros da televisão.
A análise do comportamento do homem durante a passagem do tempo obriga que consigamos contextualizar a sociedade mediante o seu desenvolvimento olhando também para os recursos que tinham à sua disponibilidade. Não sabemos em concreto como o homem ocupava o seu tempo total. Sabemos que não tinha janela virada para o outro lado do mundo nem a cores nem a preto e branco. Sabemos que a projeção de imagens e a televisão trouxeram uma outra velocidade ao conhecimento. A leitura como janela de descoberta do mundo e os contos de boca em boca deram lugar à imagem viva, rodada nas frames e posteriormente apresentada no pequeno ecrã com ou sem retoques de efeitos especiais.
Na memória ficaram pequenos momentos marcantes para uma geração. A parede da igreja matriz serviu algures nos anos cinquenta do século XX para receber a projeção de filmes. Dizem que o Halibaba e os seus quarenta ladrões saltaram dunas e fecharam portas através da parede da sacristia. Onde hoje jaz o café Marialva improvisava-se a plateia para assistirem num género de “Drive in” beirão a autênticas estreias cinematográficas impulsionadas por um clérigo de quem não souberam dizer-me o nome.
No circuito de desenvolvimento Adolfo Vieira de Brito contribuiu com o primeiro televisor. Este foi um grande acontecimento de viragem nos hábitos da população. Como disse, a curiosidade é intrínseca à condição humana. Rapidamente o televisor se tornou uma atração, que se espalhou pelas povoações em volta da Casa do Povo de São Pedro de Alva. Diz-se que o Bonanza tinha apoiantes nas suas cavalgadas, que sem grandes efeitos cinematográficos conseguiu espicaçar a mente dos mais novos. Muitos por necessidades básicas de sobrevivência, partiram também eles na sua cavalgada. Não tanto por terras americanas mas antes para terras dos desfeitos impérios europeus, necessitados de mão-de-obra e força de braços e para terras africanas sem necessidade de derrame de sangue inocente e desconhecedor da dura realidade dos trópicos, muito diferente de qualquer safari mostrados nos atuais canais generalistas de televisão.
A mudança resultou dos horários da emissão. Não era alargada a todo o dia no entanto conseguia mover a população. De tal modo que os trabalhos sazonais e de troca direta em que todos participavam nos trabalhos de todos num género de comunidade de trabalhos agrícolas foram relegados para segundo plano. No período em que a emissão estava no ar deixou de haver interesse nas descamisadas, filhoses com mel dadas pelo dono do milho e noutros atrativos gastronómicos. O convívio sofreu alterações. A alegria simbolizada hoje pelo rancho folclórico foi lentamente substituída pelas comédias mais ou menos sérias que saltavam do pequeno ecrã. A realidade dos beirões começou a ser confrontada com outras realidades existentes, desconhecidas em grande medida até ao momento, e que lhes eram apresentadas pela programação onde se incluía o serviço noticioso. A distância parecia muito maior do que hoje é e para tal contribuía também a dificuldade que era imposta pelas acessibilidades.
Continuando na linha do desenvolvimento os Café Neves e Marialva tiveram um papel importante na fases seguinte. Olhando para o seu interior percebia-se a que classe social pertenciam os seus clientes. Ambos, fechados atualmente, apresentaram novidades à população. A famosa bica era vendida e partilhava o seu espaço com o velho copo de 2 ou 3 tirado da pipa de carvalho atrás do balcão. Ainda não existia a ASEA, não que queira dizer que a higiene não estava de acordo com requisitos de um estabelecimento comercial mas antes, que os hábitos de comércio eram diferentes e as regras eram outras.
A televisão estava presente nos dois estabelecimentos. Foram colocadas numa posição sobranceira às cabeças das pessoas sentadas e desejosas de que começasse a sua série preferida. Recordo-me, nos anos oitenta dos Três Duques, do Dallas, etc. Por vezes não havia unanimidade no canal, mesmo quando só eram dois mas o que importa é que a caixinha já fazia parte de todos.
O que começou por ser uma unidade é hoje uma quantidade diferente em cada habitação. Pode haver uma só ou várias espalhadas pelas diferentes assoalhadas. Neste contexto um ponto importante é fazer referência à TDT (televisão digital terrestre). O amadurecimento da tecnologia chegou a um estádio em que todos somos afetados. O velho sistema analógico de difusão vai ser substituído pela difusão digital e quem quiser continuar a ver os seus programas preferidos terá de acompanhar o desenvolvimento da caixinha. Se não tem televisão a pagar seja por cabo ou por satélite terá de efectuar as alterações convenientes e que podem passar pela compra de equipamentos que façam a descodificação para os aparelhos de televisão que cada um possua em casa e que não tenham vindo de fábrica preparados para a TDT.
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